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Adam Smith (1723-1790)
“A benevolência é sempre livre, não pode ser extraída à força, sua mera falta não nos expõe à punição, pois a mera falta de benevolência costuma não causar positivamente nenhum mal”.
O filósofo e economista escocês Adam Smith, considerado por muitos autores “o pai da economia clássica”, é o mais conhecido comentador do livre mercado de todos os tempos. Nasceu em 5 de junho de 1723, na pequena cidade litorânea de Kirkcaldy, na Escócia. O pai de Adam Smith, um oficial da alfândega de Kirkcaldy, também chamado Adam Smith, faleceu dois meses antes do nascimento do filho, que foi criado pela mãe, Margaret Douglas, e pelo avô, John Douglas of Strathendry. A educação primária de Adam Smith ficou à cargo de sua mãe, e posteriormente ele freqüentou a escola local de Kirkcaldy. Estudou de 1737 a 1740 na Universidade de Glasgow, onde foi aluno de Francis Hutcheson (1694-1746), e de 1740 a 1746 freqüentou o Ballioll College em Oxford. Por sugestão Henry Home (1696-1782), mais conhecido como Lord Kames, lecionou retórica e beletrística, de 1748 a 1751, em Endimburgo, onde iniciou sua amizade com David Hume (1711-1776). Em 1751 tornou-se professor de lógica na Universidade de Glasgow. Em 1752 assumiu a cadeira de filosofia moral da Universidade de Glasgow. Em 1759 publicou a Teoria dos sentimentos morais, obra que, sistematizando os ensinamentos de suas aulas em Glasgow, apresenta seus pontos de vista religiosos e morais. Adam Smith abandonou o magistério em Glasgow no ano 1764 para ir à França como tutor do duque de Buccleugh. Nos dois anos que estave na França, além de cumprir suas funções de tutor, começou a escrever a obra A riqueza das nações e entrou em contato com François de Quesnay (1694-1774), Voltaire (1694-1778), Benjamin Franklin (1706-1790) e Anne Robert Jacques Turgot (1727-1781). De volta à Grã-Bretanha em 1766, recebeu do duque uma pensão que o possibilitou se dedicar inteiramente à tarefa de terminar seu grande livro, que finalmente foi publicado em 1776, com o título Investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações. Seguindo os passos de seu pai, tornou-se diretor da alfândega de Kirkcaldy em 1778. Foi nomeado Lorde Reitor da Universidade de Glasgow em 1787. Faleceu na cidade de Endimburgo em 17 de julho de 1790.Muito se fala da contribuição de Adam Smith no campo econômico e menos se fala de seus pontos de vista religiosos, morais e jurídicos. A preocupação do filósofo escocês com a economia é uma decorrência de sua filosofia moral. Em seus principais trabalhos, Adam Smith buscou uma explicação racional sobre o fator que levou o homem, tanto como indivíduo quanto como espécie, a ser o que é.O mais relevante trabalho de Adam Smith, do ponto de vista filosófico, é o livro Teoria dos Sentimentos Morais, onde pretendeu reduzir a conduta moral dos homens a uma fonte única, a benevolência, enfatizando a importância dos valores éticos para convivência social e destacando que a justiça, entendida como limite às ações individuais danosas a outras pessoas, é essencial para o bom funcionamento da sociedade. Neste trabalho discutiu o papel da simpatia ao relacionar o auto-interesse com a virtude. Se é permitido ao livre mercado funcionar e às pessoas enriquecer, elas terão tempo de se preocupar com a situação angustiosa do indigente. Na sociedade primitiva, o foco primário do povo é a sobrevivência. Adam Smith também demonstrou que o mercado promoveu virtudes, tais como, responsabilidade, honestidade, frugalidade, habilidade e auto-controle. Na busca pela aquisição de riqueza e poder, essas virtudes são necessárias para ser bem sucedido. Em épocas passadas, não havia tal mecanismo mercadológico de seleção ou incentivo para por em prática a virtude. Na época pré-comercial, escreveu Smith, os ricos e poderosos dependiam da fraude e do privilégio.Na obra A Riqueza das Nações (1776), a mais conhecida e influente, procurou desvendar os verdadeiros fatores que determinam o aumento da riqueza das nações e tentou compreender a progressiva evolução social que na sua época estava promovendo um notável avanço econômico e social. O pensador escocês tomou como objeto central da teoria econômica a produção no aspecto social, ou seja, a riqueza das nações dependendo fundamentalmente do trabalho humano, se deteve em questões objetivas da produção e demonstrou a existência de relação entre o aumento das riquezas com a utilização maior ou menor da “divisão social do trabalho”, que permite, pela especialização da mão-de-obra, a produção em larga escala num menor período de tempo, além de potencializar as capacidades específicas dos trabalhadores. Contrário à intervenção do Estado, quer nos negócios particulares, quer no comércio internacional, Smith exalta a independência e a dignidade da pessoa e considera que os interesses privados livremente desenvolvidos, dentro de parâmetros mínimos de conduta ordenada por regras morais e jurídicas, seriam harmonizados por uma espécie de “mão invisível”, resultando em benefícios para toda a coletividade.Além do mercado, outras instituições, tais como a igreja e a sociedade, apoiariam a virtude. Smith afirmou que a religião é uma expressão da necessidade de justiça e benevolência no mundo material que “reforça o senso de dever natural”. No entanto, Smith escreveu que a igreja institucionalizada, ou seja, a manutenção de recursos para a religião pela cobrança de taxas, retiraria o incentivo ao proselitismo. Na sociedade, Smith argumentou, a associação de pessoas que pensem de um determinado modo iria possibilitar efeitos semelhantes. Se alguém escolher afiliar-se a um grupo de boas pessoas, bons resultados deverão acontecer.



* Texto elaborado por Alex Catharino de Souza. Proibida a reprodução sem a autorização do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista.

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