Numa sociedade pautada no paradigma
cientificista, tal como ocorreu no início da chamada Era Industrial
e ainda ocorre nos países socialistas, a busca pela sabedoria,
ou auto-conhecimento, é vista como uma tarefa improdutiva e desprovida
de racionalidade. Os valores transcendentais são encarados como
um amontoado de dogmas, que só se legitimam pela superstição
das mentes desprovidas de objetividade científica. A função
de toda a educação deixa de ser a transmissão do
patrimônio cultural herdado pelas gerações anteriores,
seu objetivo passa a ser livrar o homem de todos os “preconceitos
obscurantistas e irracionais”. Nenhum valor deve ser mantido e respeitado,
só é válido o que puder ser abarcado pelo conhecimento
científico.
Mas a cada dia esse paradigma é rompido por novas demandas do
mercado globalizado. Vivemos num mundo de concorrência acirrada,
onde a formação integral do capital humano, e não
apenas o aspecto instrumental, é o maior problema de qualquer organização
pública ou privada. O tempo e a informação ganharam
status de recursos estratégicos e mais do que nunca, se investe
em treinamento e desenvolvimento do homem. Mas, além do treinamento
nas especialidades profissionais, o mundo globalizado em que vivemos requer
pessoas de visão, cujos amplos horizontes culturais estejam aliados
à valores morais sólidos.
A sociedade globalizada contemporânea precisa de pessoas que trabalhem
“em tempo real” na solução de problemas, cada
dia mais complexos, com respostas simples e objetivas. No entanto, na
prática, o que vale é uma boa fundamentação
teórica, pois só poderemos dar as respostas corretas se
soubermos formular as questões adequadas para cada situação.
Nessa perspectiva, o conhecimento teórico e os valores de uma
educação humanista integral se tornam importantes ferramentas
para a preparação intelectual. Os aspectos humanísticos
e éticos das ciências sociais, base onde repousam os fundamentos
da civilização ocidental, tornam a ganhar destaque.
Hoje a inovação é um fator fundamental. Mas inovar
com base em quê? O novo não surge do nada, as coisas, bem
como as idéias novas têm história e só são
possíveis por causa dessa mesma história.
Todavia, em nosso país ainda encontramos uma mentalidade que privilegia
a informação em detrimento do conhecimento, que por sua
vez, tomou lugar mundialmente do espaço anteriormente destinado
à sabedoria. Diante desse grave problema não devemos desanimar
nem perder a esperança. Ainda há tempo para reverter esse
processo. Mas a solução não é fácil
nem imediata. Da mesma forma que a estrada que nos levou a esse estado
é constituída por dois momentos distintos, para recuperarmos
os verdadeiros valores de nossa civilização teremos que
passar por duas etapas.
A primeira etapa do processo de restauração do saber deve
ser constituída pela recuperação do conhecimento
que perdemos com a informação. Por um lado, precisamos rejeitar
o relativismo, aceitando que existe uma verdade objetiva sobre o homem
e o mundo que o cerca. Por outro lado, é necessário recuperar
o verdadeiro sentido do conhecimento científico, entendendo sua
natureza, extensão e limites.
O segundo passo, e o mais difícil, é a busca pela sabedoria
que perdemos com o conhecimento. Para atingir esse objetivo precisamos
recuperar a totalidade do conhecimento, abrindo nossa mente não
apenas para as verdades apresentadas pelas ciências, mas também
por aquelas que nos foram legadas pela filosofia e pela teologia. Nossa
meta deve ser a busca da sabedoria que brota do auto-conhecimento. Temos
de entender a verdade sobre a natureza humana, além de conhecermos
os valores humanista legados pela tradição cultural de nossa
Civilização.
Mas, tal busca pelo conhecimento e pela sabedoria não pode ser
uma peregrinação solitária e egoísta. O diálogo
sincero com nossos irmãos de outras culturas, aceitando as diversidades,
mas mantendo a identidade, permitirá o aperfeiçoamento de
nossos saberes. A responsabilidade com as gerações futuras
é um compromisso que também deve fazer parte de nosso projeto
pedagógico.
Nesse sentido o CIEEP pretende tornar possível a reflexão
sobre a problemática humana num mundo sem fronteiras tecnológicas,
geográficas ou culturais e disseminar a prática dos valores
morais judaico-cristãos na sociedade. Para atingir esses objetivos
o CIEEP possui um programa cultural e pedagógico capaz de permitir
às pessoas descobrir e repensar, de forma crítica, os valores
da identidade espiritual e cultural da civilização ocidental.
Aqui você encontrará informações sobre os
eventos, cursos e palestras organizados pelo CIEEP. |