| Vivemos uma guerra de visões
de cultura. Essa não é só uma batalha de idéias,
mas uma luta entre visões imaginativas opostas – são
os poetas, os escritores, pintores e compositores aqueles que tocam em
primeiro lugar a alma dos homens. São os artistas em geral que
por intermédio de suas habilidades específicas nos levam
a perceber seu modo de ver o mundo – e isso deixa traços
indeléveis nas mentes humanas.
Nossa percepção de realidade, desde
a mais tenra infância, lança raízes nos símbolos
artísticos que nos circundam. Essa afirmação vale
tanto para a pessoa quanto para a coletividade. Esses artistas, muitas
vezes de gerações passadas, que pela habilidade e virtude
atraem e moldam a imaginação são os responsáveis
por nos tornar mais receptivos a certas qualidades de experiências
e menos receptivos a outras. São os símbolos veiculados
por eles que inspiram e moldam nossos sonhos de futuro, nossas emoções
e dão cor à nossa percepção da vida. Infelizmente
a imaginação moldada na ausência de expressões
artísticas ou por expressões culturais medíocres
torna as pessoas incapazes de “ver” todos os matizes da realidade.
No século XXI, quando somos afligidos pelo
consumismo, relativismo, comodismo e por fanatismos – frutos da
ausência de referenciais humanizadores – nada é mais
urgente e prático do que a ênfase em tudo que busque aprofundar
o plenamente humano, em tudo o que fale à alma de cada ser humano
na face da terra. Está na hora, como dizia T. S. Eliot (1888-1965),
“das coisas permanentes”.
Resgatar os símbolos imaginativos que nos
ensinam a grande base mística dos mandamentos da lei de Deus, pode
ser um dos caminhos da evangelização da cultura pela própria
cultura.
Durante a XVIII Semana de Filosofia os participantes
terão a oportunidade de ter contato com essa problemática.
Ao longo dos três dias de evento, especialistas do Brasil e do exterior,
abordarão as relações entre filosofia, cultura e
fé. Mesas de debates discutirão as diferentes concepções
teóricas que contribuíram na formação cultural
brasileira e a importância da educação e da comunicação
na difusão de valores artísticos. Dois painéis apresentarão
o desenvolvimento histórico da cultura cristã, bem como
suas raízes greco-romanas. Também serão abordadas
as relações entre filosofia, cultura e fé no pensamento
de importantes autores, como Santo Tomás de Aquino (1225-1274)
e G. K. Chesterton (1874-1936), ou em obras contemporâneas como
“O Senhor dos Anéis”, “Star Wars” e “Harry
Potter”.
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